Dependência Química: O Que É E Como Tratar
Estão abertas as inscrições para um curso sobre o tratamento da dependência química no contexto hospitalar (hospital geral e hospital psiquiátrico) e das clínicas especializadas. As aulas são a distância e gratuitas, destinadas aos profissionais que atuam em equipamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), do Sistema Único da Assistência Social (SUAS) e do Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas (SISNAD), ou na rede privada de atendimento e assistência. Da mesma forma, dependentes químicos, voluntariamente, são encaminhados para tratamento de reabilitação.
clinica de reabilitação feminina

O Núcleo do Centro de Dependência Química do HNBra oferece suporte psicológico, individual e em grupo, além de acompanhamento psiquiátrico para tratamento mais amplo e humanizado do transtorno da dependência química. Por intermédio dos convênios celebrados com clínicas especializadas e com larga experiência em internação para dependentes químicos, o paciente terá acesso a um leque das mais variadas opções terapêuticas. A dependência química é um transtorno psiquiátrico crônico, manifestado principalmente por sintomas persistentes do comportamento, com diversas consequências negativas sociais, psicológicas e para a saúde. Cada substância psicoativa apresenta diferentes chances de levar ao transtorno, não apenas por suas propriedades particulares, mas também pela interação com fatores de vulnerabilidade individuais. Aspectos genéticos, ambientais e a modulação de substratos neurobiológicos durante o curso da doença irão compor o escopo desses fatores de risco individuais, com variações entre os pesos exercidos de acordo com cada substância e com cada fase da vida. Diante do atual reconhecimento sobre a complexidade da etiologia e cronificação da dependência química, apresenta-se visão geral da fisiopatologia implicada.
Porém, apesar de frequente, não é possível dizer que uma etapa sempre acarretará em outra. O seu sucesso está baseado na relação de confiança estabelecida entre paciente e equipe multidisciplinar, para que essa mudança de mentalidade seja algo natural, e não forçado. Mas pensando nisso, nós, do Grupo Recanto, montamos uma metodologia de tratamento que visa, justamente, oferecer todo o suporte que o interno e seus familiares precisam e buscam.
Assim, quanto mais informações e conhecimento sobre seu problema, maior será a chance de tratamento. O álcool e o fumo, por exemplo, são drogas lícitas, de acesso fácil e do comércio comum. Ambas são consideradas de alto risco de dependência, tendo em seus ingredientes elementos tóxicos.
Se você ainda tem dúvidas sobre o assunto e gostaria de saber mais sobre a internação em uma clínica de reabilitação, dê o próximo passo. Acreditamos que esse seja o tempo necessário para que o interno retome não só a sobriedade, mas também reprograme sua vida a partir de novos valores e responsabilidades. A metodologia de tratamento aplicada aqui no Grupo Recanto prevê uma duração de seis meses. Muitas vezes, mesmo ciente do seu vício, ele tenta parar ou diminuir a administração da substância e não consegue. Por isso, neste final, resolvi reunir cinco dos questionamentos que mais escuto em relação ao tema e respondê-los de forma direta e didática. O Programa dos 12 Passos é a última fase do nosso tripé de tratamento e também um espaço para compartilhar experiências.
Ainda que cada paciente tenha o seu próprio caminho e histórico pessoal com o vício, ele não é o único nessa situação. No aconselhamento biopsicossocial, buscamos entender a realidade de cada paciente, revisitar o seu passado e, de forma individualizada e humana, compreender o seu quadro. Essa é uma abordagem moderna, que desmistifica aquela falsa ideia de que todo adicto usa drogas porque quer ou porque não tem caráter. Acredito e defendo que a dependência química deve ser tratada com toda a seriedade que merece. Somadas a esses fatores, temos a carência de um suporte social adequado, a falta de políticas públicas em ações educacionais e preventivas, a necessidade de aceitação em determinados grupos, a sensação de libertação, contravenção e a fuga das responsabilidades.
No Brasil, assim como vem ocorrendo no contexto francês, as evidências sobre a relação entre adição e uso de drogas no trabalho têm sido cada vez mais contundentes, embora isso não esteja conduzindo a avanços importantes no sentido do seu reconhecimento. É por essa razão que, diante da grande quantidade de casos emergindo de uma mesma situação de trabalho, a medida encontrada tem sido a de criar "clínicas de recuperação", como vimos no caso dos "trabalhadores da cana" várias vezes citado neste artigo. O depoimento de um dos quarenta internos de uma dessas clínicas revela bem a "eficácia" dessa "solução", qualificada com muita propriedade por Clot (2008, 2010) como uma "nova profilaxia social" ou "um novo higienismo". Após dizer que "ficava louco", "viajava no serviço", "gritava e zoava a cabeça" dos colegas, esse trabalhador acrescentou que seu plano, após receber alta, é o de continuar cortando cana.
No que concerne ao uso do álcool, é comum que tal mudança se manifeste, inclusive, no seu padrão de consumo, que deixa de ser em grupo para ser cada vez mais solitário. No Brasil, em 2021, o Sistema Único de Saúde (SUS) registrou 400,3 mil atendimentos a pessoas com transtornos mentais e comportamentais devido ao uso de drogas e álcool. Neste domingo (20), no Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcolismo, o Ministério da Saúde traz um alerta para a saúde pública no País. Muitas pessoas acreditam que a doença não passa de um mero vício ou falta de caráter, o que não é verdade. A dependência química, além de doença, também é caracterizada como um tipo de transtorno mental.